





Numa clara intenção de evidenciar o essencial, consolidou-se as paredes portantes de Xisto, com reposição de algumas pedras em ruína, recorrendo a técnicas de construção da época para o efeito. A cobertura, assume-se como o novo elemento, e surge numa continuidade formal, destacando-se da pré-existência através da técnica e material utilizado, o betão. O diálogo entre as diferentes matérias, pedra e betão, marca de forma clara e intencional o contraste entre pré-existência e a nova abordagem. É através do desenho da cobertura, que se definem espaços associados ao novo programa.



A proposta de reabilitação de um antigo Lagar de azeite da Quinta de Vale do Conde, concilia a vontade de ampliação de serviços da Quinta, e recuperação de parte do seu Património.
A ruína pré-existente detém uma carga indenitária local bastante significativa, quer pelo tipo de construção, quer pela atividade agrícola que lhe estava associada. As paredes em Xisto eram os únicos elementos construtivos sobrantes do antigo edifício, sendo bastante fechado pelo seu antigo propósito de armazenamento e produção de azeite, a sua robustez construtiva era fundamental para a temperatura ser estável e amena para conservação do azeite. Foi importante ter esta percepção espacial presente, a fim de a fazer renascer para o seu novo propósito que se encontra umbilicalmente ligado ao anterior.
O antigo Lagar, é agora cenário a degustações e exposições relacionadas com o azeite e sua produção na Quinta Vale do Conde, pelo que a procura da revitalização atmosférica deste espaço se demonstrou vital a um enriquecimento das futuras experiências que aqui decorrerão. O espaço escuro e ameno, transporta o visitante para o antigo lagar, elevando-lhe os sentidos para a prova ou exposição que se avizinha.






